Usos do Twitter para redes sociais e para…plantas!

6 03 2008

Twitter

Talvez um dos slogans mais imprecisos da Web 2.0 seja o do Twitter. “O que você está fazendo” pode ainda representar seu objetivo inicial. Mas a interface é hoje usada para os mais diferentes fins. Até para plantas avisarem que precisam ser regadas. “Hein?” Calma, eu chegou lá.

Se você ainda não sabe o que é Twitter e como funciona, veja o vídeo abaixo.

O uso do Twitter como, digamos, micro-narrativas da história pessoal se ajusta no que vem sendo chamado de lifestreaming (veja aqui outros serviços). Ou seja, um registro das atividades cotidianas de alguém. “Mas, como as plantas podem usar o Twitter para lifestreaming???” Calma, já disse que chegarei lá.

Se você ainda não se deu conta do poder desse tipo de interface para o desenvolvimento de redes sociais na internet, veja este outro videozinho bacana sobre como a sociabilidade em rede pode ser mediada por serviços da Web 2.0:

Mesmo que o vídeo fale apenas do Linkedin, Facebook e MySpace (e nem lembre do orkut), o Twitter passou a fazer parte do modo como as pessoas interagem em rede na internet. Portanto, seria um erro pensar apenas naqueles sites quando se fala em redes sociais online. Estas redes não se prendem a apenas um serviço da Web 2.0. No Twitter (como também no Pownce, Flickr, Netvibes e tantos outros) você também pode cadastrar seus amigos e contatos para manter a interação com eles.

Como gosto de repetir, os “fluidos conversacionais” (veja mais sobre isso aqui) escorrem por diferentes interfaces e em diferentes momentos. Um diálogo pode ter ínicio no Twitter, prosseguir em um blog e “escorrer” para o MSN. Dessas conversações dependem como os relacionamentos se tornam mais ou menos íntimos, intensos, recíprocos, etc (sobre relacionamentos em rede escrevi este e este artigos).

O Twitter, contudo, não é apenas mais uma interface para lifestreaming e interações em rede. Diante disso, o blog doshdosh listou 14 usos do Twitter (depois vou acrescentar o uso por plantas!):

  • branding pessoal - estabelecimento de uma imagem na rede social (uma persona Twitter);
  • feedback - trata-se de uma ótima interface para receber opiniões e sugestões sobre projetos em andamento;
  • contratação de pessoas - novos funcionários ou serviços terceirizados podem ser prospectados através da disseminação de informações sobre a abertura de vagas ou do pedido de recomendações;
  • atração de tráfego - links distribuídos no Twitter podem gerar tráfego adicional para diversos sites;
  • leitura de notícias - o Twitter vem sendo cada vez mais usado por empresas de comunicação, organizações e até mesmo congressos para a distribuição de notícias, mantendo os assinantes atualizados sobre as últimas novidades;
  • novas amizades - o serviço facilita o encontro de pessoas interessantes, permitindo que se acompanhe tudo o que ela publica, além, claro, de oferecer um canal direto para o diálogo;
  • busca de benefícios na rede - o networking pode gerar não apenas a formação de comunidades de interesses como também vantagens profissionais;
  • lista de coisas a fazer - a marcação de mensagens (para si mesmo!) como favoritos podem ajudá-lo a lembrar do que precisa ser feito;
  • gestão de equipe - o Twitter pode facilitar a coordenação e o trabalho de equipes;
  • notificação de consumidores - o feed do serviço pode ser usado para avisar clientes quando novos serviços são lançados;
  • tomar notas - a interface pode ser usada como um bloco de notas de idéias para referência posterior, usando inclusive dispositivos móveis;
  • lembrete de evento - envio de avisos de mudanças no planejamento;
  • prospectar novos consumidores - clientes em potencial podem ser atraídos estrategicamente através da publicação de mensagens que valorizem indiretamente uma empresa ou produto;
  • cobertura ao vivo - pequenas notas ou comentários em tempo real de eventos em andamento;
  • análise e gestão do tempo - registro do que se faz a cada dia para análise futura de quanto tempo se gasta em cada atividade;
  • marcação de reuniões - maneira informal para marcar encontros;
  • buscar votos - o Twitter pode ser útil para incentivar amigos a votarem em notícias publicadas em sites colaborativos como o Digg.

Como ligar sua planta no TwitterDepois dessa longa lista de usos do Twitter, não posso deixar de dizer que ela está incompleta. Nada foi mencionado sobre o uso do serviço por vegetais!!! Sim, você deve ter lido este grande post apenas para saber como sua samambaia pode entrar em contato com você.

Então… seus problemas acabaram! O site Botanicalls Twitter publicou um passo-a-passo de como sua planta pode lhe avisar que precisa ser regada. O site publica todas as instruções sobre o material necessário, como todo equipamento e a planta devem ser conectados e ainda oferece o código-fonte a ser instalado.

Ah, esse Twitter…sempre nos surpreendendo! E você, conhece outros usos?




    Por que o webjornalismo participativo é relevante para o próprio pensar sobre jornalismo?

    5 03 2008

    o embate! Ontem participei da banca de mestrado de Cristiane Lindemann. Sua dissertação, “O perfil da notícia no webjornalismo participativo: uma análise do canal vc repórter, do Portal Terra”, foi orientada no PPGCOM/UFRGS pela professora Virgínia Fonseca. Durante a banca, juntamente com as professoras Marcia Benetti (UFRGS) e Christa Berger (Unisinos), pudemos rediscutir uma série de grandes temas do webjornalismo participativo.

    Fiquei ainda mais convencido que trata-se de um conjunto de experiências, por vezes tão radicais, que têm uma importância fundamental para a história do jornalismo, como também para a própria teorização da área. O embate polarizado que inspirou os primeiros debates veio demonstrar que era hora de se repensar muitos conceitos e teorias do jornalismo. A radicalidade dos argumentos, tanto das utopias panfletárias quanto das visões conservadoras e corporativistas, tiveram papel importante em sacudir as certezas que insistiam em se cristalizar definitivamente. Ora, nada como uma boa briga para excitar nossos neurônios e fazer o conhecimento avançar.

    PokerDe um lado, os pioneiros do webjornalismo participativo insistiam que as senhas conceituais da tradição não eram suficientes para interpretar esse novo fenômeno. De outro, jornalistas profissionais e sindicatos denunciavam os perigos da publicação de informações distorcidas e apressadas por pessoas sem maiores compromissos com o factual. Os primeiros retrucaram com novos ataques às idéias de imparcialidade. Seus oponentes no debate, por sua vez, revidavam com críticas sobre a falta de preparo dos leigos envolvidos. Também foram jogados na mesa os interesses mercadológicos dos conglomerados midiáticos, enquanto outros pagavam para ver o que sobrava da defesa pela democratização da informação.

    Claro, carreguei nas tintas na ilustração desse debate, com o fim de destacar alguns dos principais argumentos. Mas o que sobra dessa “briga”?

    Passados esses primeiros anos, precisamos agora ver o que amadureceu, o que enfraqueceu, o que a sociedade e o jornalismo ganharam com os projetos participativos e que modas e discursos panfletários perderam força.

    Sabemos que dar voz a qualquer a qualquer cidadão é fundamental para o processo político. Contudo, conforme disse minha colega Marcia durante a banca, participação não é necessariamente o mesmo que democracia. Essa interessante provocação estava baseada em um dos dados levantados pela dissertação de Cristiane. Ao avaliar as fontes relatadas no vc repórter, encontrou os seguintes dados:

    • fonte oficial - 73,33%
    • fonte independente - 11,85%
    • testemunhas - 11,11%
    • fonte oficiosa - 3,70%

    Para Marcia, 73% de fontes oficiais não indicam um processo democratizante. De fato, o webjornalismo participativo pode justamente diferenciar-se e oferecer contribuição social ao ultrapassar a repetição das mesmas informações oficiais. Em outras palavras, a participação é necessária, claro, mas não suficiente.

    Infelizmente, o Terra tem uma atuação primária e decepcionante no webjornalismo participativo. Trata-se apenas de uma inciativa de gerar tráfego adicional em suas páginas com custo baixíssimo. O que importa são os cliques em material publicitário. As fotografias e os textos dos colaboradores, por incrível que pareça, têm papel secundário. Para se ter uma idéia do descaso do Terra, eles se negaram a contribuir com a dissertação ontem defendida.

    Que bom que o vc repórter não é a regra. Enquanto isso, Slashdot, Overmundo, Digg, OhmyNews e tantas outras iniciativas seguem aperfeiçoando seus sistemas colaborativos.

    A nós, que nos dispomos a pensar criticamente os processos comunicacionais, cabe atualizar o que precisa ser atualizado na teoria, sem medos, preconceitos, nem posturas panfletárias.

    Confesso que tenho muito interesse por esse desenvolvimento. Ele têm repercussão na ciência da comunicação e no fazer jornalístico. Mas, sobretudo, no impacto social e democratizante da comunicação. Pena que essa perspectiva andava meio “fora de moda” depois dos anos 80.




    Correção de erros na Folha de São Paulo e em sites colaborativos

    3 03 2008

    Na coluna do ombudsman da Folha deste domingo, Mário Magalhães segue discutindo a velocidade com que erros do jornal são corrigidos. Segundo noticiou no dia 10 de fevereiro, “Do dia em que saiu o erro até a correção, a média é de 7,34 dias [balanço de 2007]“. A jornalista Suzana Singer, secretária de redação da Folha, reagiu lembrando que 54,55% das correções em 2007 (mais da metade, portanto) foram publicadas em até 3 dias.

    Veja agora os outros resultados do tempo de divulgação do “Erramos” na Folha:

    Liquid Paper

    • 4 a 6 dias - 15,30%
    • 7 a 10 dias - 10,86%
    • 11 a 20 dias - 9,57%
    • 21 a 30 dias - 5,43%
    • acima de 30 dias - 4,28%

    Diante do protesto de Suzana, o ombudsman reconhece que nenhuma publicação brasileira retifica seus erros como a Folha. Ele deve ter razão. “A seção ‘Erramos’ fornida não é sinal de fragilidade, mas de pujança. Todos erram, só alguns corrigem”.

    Isso me fazer recordar um fato vergonhoso que denunciei em 2007. Mesmo que toda a imprensa tenha reconhecido a divulgação internacional de uma pegadinha jornalística, o jornal Estadão preferiu ignorar o erro e não retratar-se, até que passou a ser motivo de chacota na blogosfera. Lembra disso?

    Voltando ao levantamento da Folha, Magalhães insiste que a média precisa ser baixada. “Em quatro anos de tabulação, a espera média começou em sete dias e assim permanece, sem avanço algum”.

    A seção ‘Erramos”, que qualquer jornal de respeito precisa manter, é um dos principais alvos dos defensores do webjornalismo participativo (veja uma introdução ao tema neste artigo que escrevi com Marcelo Träsel). Devido à pressão do tempo na rotinas jornalísticas diárias e o processo de impressão e distribuição de periódicos impressos, a publicação de erratas leva muito mais tempo que a correção em sites colaborativos. Erros na WikipédiaAlém disso, e sobretudo, o “Erramos” normalmente ocupa um espaço de baixíssima visibilidade. As correções deslocadas e atrasadas acabam descontextualizadas, com baixo poder informacional.

    Por outro lado, em sites colaborativos da Web 2.0 os erros podem ser corrigidos in loco. Na Wikipédia, por exemplo, e no WikiNews (no caso do webjornalismo participativo) um leitor que identifica o problema pode fazer a correção instantaneamente.

    Em 2004, a IBM fez um estudo sobre a Wikipédia e encontrou um dado impressionante: erros são corrigidos em 5 minutos, na média. Mas, como se sabe, a maior parte dessas correções é feita por um pequeno grupo de voluntários que se dispõe a acompanhar cada edição de certos verbetes. Veja o que diz Jimmy Wales, o criador da enciclopédia livre:

    the vast majority of changes on Wikipedia are made from a hard-core group of users. It’s not a Darwinian phenomenon of millions of people, but rather a community of people. That core group is in constant communication, via IRC, and on the Web itself - they’re always talking, in 40 languages, about the articles. That’s how the site gets corrected so fast. People notice the change and very quickly communicate it through the community. The tight-knit group of users makes all the difference.

    Ou seja, existe um pequeno grupo de pessoas com status de administrador. Esta autoridade diferenciada mina a idéia de relação de poder horizontal. Trata-se, no entanto, de um processo que busca garantir a credibilidade da produção colaborativa. InterrogaçãoNo contexto do webjornalismo participativo, mais especificamente no que toca o gatewatching (ver o artigo de Primo e Träsel citado anteriormente), prática semelhante ocorre no Digg, conforme relata a Slate. Esta revista online ainda aponta que 1% dos colaboradores da Wikipédia produzem metade de seu conteúdo. Os dados da Wikipédia, claro, não podem ser generalizados para qualquer site colaborativo. Nem mesmo para o WikiNews, cujo desenvolvimento é decepcionante.

    De qualquer forma, a discussão sobre a urgência na correção de erros na mídia tradicional ou online precisa estar sempre em pauta. Disso depende a credibilidade de qualquer meio. Ou estou errado?




    Entrevista sobre o livro “Interação Mediada por Computador”

    30 08 2007

    Livro O programa Livro Aberto, produzido pela PUCRS, está veiculando nesta semana uma entrevista sobre meu livro Interação Mediada por Computador: comunicação, cibercultura, cognição, recém lançado pela Editora Sulina.

    Meu colega Juremir Machado da Silva, como sempre, fez perguntas excelentes sobre a vida online.

    Veja abaixo a primeira parte da entrevista.

    Você pode ver as partes dois e três diretamente no site do YouTube.




    Webmail do Terra: uma aula de falta de usabilidade

    19 07 2007

    Semana passada perguntei para um webdesigner e ex-aluno quantos cliques eram necessários para ele enviar uma mensagem no GMail. Ele achou graça e respondeu desconfiado: “Depois de aberta a janela, apenas um clique…claro”.

    Pois é, mas quem pena no webmail do Terra não tem essa sorte. Mas vamos em câmera lenta, para que você compreenda que “usabilidade” não é um conceito discutido pelas equipes do Terra.

    Passo 1: Escreva sua mensagem.

    Enviando e-mail no Terra

    Passo 2: Pergunte-se por que uma segunda tela questiona se você quer salvar esse endereço na agenda de contatos.

    Enviando e-mail no Terra 2

    Passo 3: Irrite-se com a singela mensagem “Sua mensagem foi enviada” e o singelo botão de “OK”. Enquanto isso, divirta-se com as propagandas que o Terra obriga você a olhar.

    Enviando e-mail no Terra 3Você fica então se perguntando por que o segundo maior portal do Brasil não junta os dois primeiros passos em uma única janela. Intrigado, você indaga por que esta empresa que atua em diversos países da América Latina lhe mostra uma tela apenas confirmando o óbvio. Será que essa informação não poderia ser mostrada através de uma janela sobreposta, programada em Ajax? Ah, talvez o Terra não saiba o que é isso. O caro leitor não precisa conhecer esse jeitão Web 2.0 de programar sites. Mas um portal não saber…francamente. Outra coisa: será que não ensinaram ao Terra que existem outras formas mais inteligentes e menos intrusivas de se ganhar dinheiro com propaganda na segunda geração da Web?

    Bem, faz uns dois anos que penso em capturar essas telas para mostrar em aula, mas sempre esqueço. E faz ainda mais tempo que o erro abaixo insiste em ocorrer.

    Se você quiser encontrar uma mensagem em sua caixa de correio, basta usar o mecanismo de busca, não é? Sim, mas cuidado…

    Busca no Terra

    Eu disse que não era para teclar “Enter”! Para que o mecanismo funcione, você deve clicar “Buscar” que fica lá em cima (por que não fica embaixo do campo de busca?).

    Busca no TerraAh, você percebeu que os nomes de algumas pastas estão em português, enquanto de outras em inglês? Chique, hein?

    Você deve estar frustrado por não saber o que quer dizer “Erro no Dispatch”. Não se preocupe, o Terra não é muito educado. Ele gosta de chamar as pessoas de burras.

    Bem, talvez você seja mais inteligente e use o GMail. Enquanto isso, eu vou aqui aprendendo na prática a falta que uma boa usabilidade faz.




    O futuro da Web

    16 07 2007

    Qual será o futuro da Web?Na quarta passada, dei uma entrevista para um jornalista do Estadão, responsável pelo site Link. O jornalista estava interessado em saber qual será o futuro da Web. Ele me questionou se um único site poderá reunir todo tipo de informação e todas as ferramentas de interação em um mesmo lugar. A matéria sobre redes sociais foi hoje publicada aqui. A conversa por telefone durou cerca de 20 minutos, mas o jornalista não deu importância para o que falei e usou sua própria pergunta como sendo minha análise sobre o tema. Bem, vamos ao que eu realmente penso sobre essa questão.

    Logo do NetvibesNa primeira geração da Web, os portais serviam como página de entrada na rede. Hoje, na Web 2.0, multiplicam-se os sites altamente personalizáveis, nos quais você pode selecionar e posicionar as informações e serviços que mais lhe interessam. Os principais concorrentes nesta categoria são o MyYahoo, iGoogle, Pageflakes, e Netvibes. Cada um deles oferece uma grande quantidade de módulos de conteúdo: notícias, jogos, quadrinhos, calendário, previsão do tempo, vídeos do YouTube, etc. Além disso, você pode cadastrar seus feeds preferidos. Ou seja, pode assinar os blogs e sites de notícias que mais lê. Em vez de acessar um portal que lhe diz o que há de mais importante, você define o contéudo e a interface que realmente lhe agradam. Já testei o MyYahoo (creio que foi o pioneiro no segmento), iGoogle e Netvibes, e acabei preferindo o último.

    Logo do Google ReaderHoje, contudo, a página inicial de meu navegador é o Google Reader. Este site oferece um sistema mais eficiente para a leitura de feeds. A interface, que está longe de ser tão bonita quando aquelas do Pageflakes e Netvibes, tem aquele jeitão conservador que caracteriza o Google. No Reader, posso ver quais são os posts e as notícias mais recentes dos blogs e sites que acompanho. Para quem gosta de blogs, é uma ótima pedida. Pode-se saber em quais deles há algo de novo, sem que se precise visitar um a um. Realmente é muito chato chegar em um blog e encontrar o mesmo post de 2 dias atrás ;-)

    Logo do FacebookO Google também tem o orkut, conhecido de todos os brasileiros. Mas, a briga no segmento de redes de relacionamento vem esquentando. Nos Estados Unidos, o todo poderoso MySpace está perdendo espaço para o Facebook. Este último começou como um serviço fechado. Só estudantes universitários e funcionários de certas organizações podiam se cadastrar. Com a abertura dessa rede a qualquer internauta, e com a possibilidade de se personalizar a interface e incluir widgets (até de bichinhos virtuais, versões atualizadas do Tamagoshi), o Facebook ganhou espaço. O próximo alvo pode ser o próprio orkut, já que uma versão em português já está prometida.

    Logo do FlickrO jornalista do Estadão queria saber se, ou melhor, ele insistia que uma dessas redes de relacionamento se transformará no site onde encontraremos tudo o que precisamos. Discordo dessa aposta. Quanto mais serviços se inclui em um mesma interface, mais se corre o risco de perder o foco. Veja-se por exemplo o orkut. No dia 11 de julho, a simpática indiana Nandini noticiou no blog oficial do orkut o lançamento de um sistema para a leitura de feeds. OK, mas essa funcionalidade fica muito aquém do Google Reader. O álbum de fotos do orkut também parece muito limitado. Mas como e por que concorrer com o Flickr (em minha opinião, o site mais bem resolvido da Web 2.0)? E para que aperfeiçoar a interface da páginas de vídeos se o YouTube oferece um serviço muito melhor? Se o Google possui todas essas ferramentas, por que não integrá-las em um único site. Estratégia, oras! Quando se tenta acertar em muitos alvos ao mesmo tempo, acaba-se por não acertar nada em cheio.

    O jornalista queria saber qual é o futuro da Web. Eu também quero. O Google, o Yahoo, o Murdock e todo mundo também!




    Flock: o browser da Web 2.0

    9 07 2007

    Logo do FlockAlém do Pownce, estou testando um novo programa. Trata-se do browser Flock, cuja versão 0.9 está sendo lançada oficialmente nesta terça (mas já estava disponível no site há alguns dias). Na verdade, eu já tinha testado umas versões anteriores. Mas logo em seguida desistalei o programa, pois estava ainda cheio de bugs. Desta vez, fiquei muito impressionado.

    O esforço da equipe é produzir um navegador totalmente voltado para as ferramentas de colaboração da Web 2.0. Por exemplo, estou escrevendo este post na ferramenta de edição de posts do Flock. As imagens que você vê foram arrastadas diretamente de seus sites originais para cá, sem que eu precisasse copiar e colar URLs. E, ao selecionar um texto em uma webpage, basta clicar com o botão direito na opção “Blog this” para o trecho ser copiado automaticamente para a janela de edição. Esse recurso funciona com os principais serviços de blog na rede.

    A interface gráfica é a melhor que já vi em um browser. É elegante e de excelente usabilidade. Ao cadastrar sua conta no Flickr ou YouTube, você tem acesso a suas imagens e de seus amigos na Media Bar, conforme a imagem abaixo. Para vê-las diretamente no site original, basta clicar na miniatura. Muito funcional e inteligente. Ah, você ainda conta com uma interface intuitiva para envio de imagens para o Flickr.

    O Flock ainda facilita o envio de links para amigos e o uso de serviços de social bookmarking como o del.icio.us e ma.gnolia (esse eu não conhecia ainda). O browser também oferece um leitor de feeds e um interessante clipboard para textos e imagens encontrados na web.

    A maior parte das extensões do Firefox funciona no Flock, já que ambos têm a mesma base operacional. Eu ainda estou tendo uns probleminhas sincronizando a barra de favoritos através do Google Browser Sync, mas creio que isso será resolvido em breve.

    Enfim, vale a pena fazer o download e testar. Mas cuidado para não ficar de queixo caído!

    Blogged with Flock

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    Twitter e Pownce no ringue do microblogging

    8 07 2007

    Havia um tempo em que o termo microconteúdo era usado para a definição de blogs. Mas como descrever o microblogging: micro-microconteúdo?

    Microblogging refere-se aos processos interativos mediados por interfaces como Twitter, Jaiku, Moodmill, Hictu, e Tumblr. Trata-se basicamente da publicação de uma frase sobre o que se está fazendo naquele momento. O próprio slogan do Twitter define essa nova onda: What are you doing? E recursos para microblogging já vêm sendo incluídos nas interfaces de sites populares da Web 2.0, como nas redes de relacionamento Facebook e Bebo e no serviço de blogs Xanga (o Xanga Pulse).

    E como quase tudo na Web 2.0, o microblogging virou uma febre instantânea. De uma hora para outra, o Twitter pipocou nas páginas da blogosfera. Enquanto se lê um post, fica-se sabendo se o blogueiro está escrevendo um artigo, indo viajar ou jogando mega-drive. A ênfase no instante, na transmissão online do aqui e agora, é facilmente percebida pelo uso constante do gerúndio. Blogar é dizer o que se pensa sobre algo que se fez, leu ou viu; microblogar é dizer o que se está fazendo. No blog, se pensa sobre o que se escreve; no micropost, se escreve!

    O interessante é que o microblogging cria uma nova interface para um processo que se popularizou entre nós de forma emergente. Ora, não é nada incomum ver pequenas frases ao lado do nome dos amigos listados no MSN sobre o que eles estão fazendo.

    Confesso que nunca me interessei muito pelo Twitter. Ele me exigiria uma dedicação com a qual não conseguiria me comprometer. Para que o microblogging tenha sentido, é preciso publicar constantemente. Por exemplo, qual a graça de ver no Twitter do blog da Maria Clara que, 40 dias atrás, ela estava jogando mega drive?!!! Ou ela largou o mestrado e continua jogando até hoje?

    Meu colega Henrique Antoun, por sua vez, prefere publicar em uma mesma interface o que um conjunto de pessoas (amigos ou não) e até mesmo instituições (como a BBC) estão publicando em seus Twitters.

    O Jaiku oferece uma interface melhor. Mas acho que esse serviço vai acabar sendo o que as fitas Beta foram para o VHS: um competidor mais sofisticado, mas que não emplaca. A Web 2.0 é mesmo cruel! Funciona como uma festa, que é legal porque está cheia. Não importa se o bar ao lado é melhor e tem bebida mais barata.

    Na verdade, eu ia escrever este post na semana passada e ia comentar que apostava que o Twitter seria comprado em breve pelo Yahoo (o que ainda não duvido). Mas eis que surge um competidor mais interessante, e que conta com a criatividade de Kevin Rose, o criador do site de notícias colaborativo Digg. O Pownce ainda está em versão de testes, mas só se fala dele nos sites especializados. Trata-se de uma mistura de microblogging, com mensageiro instantâneo (infelizmente, esse recurso ainda é extremamente lento) e uma interface para se compartilhar arquivos e links com os amigos.

    Eu já estou testando o sistema (veja minha página). Gostei da interface gráfica e da possibilidade de escolher temas diferentes. Além do site na Web, o Pownce oferece um programa (baseado na tecnologia AIR, da Adobe) para se acompanhar o microblogging de amigos e baixar os arquivos compartilhados. Creio que em breve esse programa terá mensagens instantâneas em tempo real, sem que se precise apertar o botão de refresh ou se aguardar a atualização automática da tela. Mas prometo uma análise mais detalhada em um próximo post.

    Será que isso representará o fim do Twitter e….do MSN e do GTalk?

    PS: Como o Pownce ainda está em fase inicial de testes (a chamada versão Alpha), para se entrar no sistema é preciso receber um convite de alguém que já esteja cadastrado. Já que os convites são muito limitados, o hype em torno do Pownce cresceu ainda mais (típico da Web 2.0!). Nesse espírito, muitos blogs estão fazendo concursos para a distribuição de convites. Claro, este blog não poderia ficar de fora dessa onda. Por acaso (!) tenho dois convites sobrando para distribuir. O primeiro será dado para o primeiro leitor/comentador que responder as seguintes perguntas: a) quem matou Deus?; b) quem matou o homem?