As imposições da tecnologia na indústria moveleira
26 03 2008A perspectiva mcluhaniana defende que as tecnologias nos servem como extensões. Sabemos do suporte que as interfaces digitais oferecem para as atividades cognitivas. A ciberarte e o design digital há muito nos mostram como a informática permite a ampliação do potencial criativo. Por outro lado, Arlindo Machado (2001, p. 41), um dos principais estudiosos da comunicação, faz também um alerta:
Desgraçadamente, porém, essas mesmas máquinas e programas se baseiam, em geral, no poder de repetição, e são os conceitos da formalização científica o que elas repetem até a exaustão. A repetição indiscriminada conduz inevitavelmente a estereotipia, ou seja, à homogeneidade e à previsibilidade dos resultados.
A multiplicação, à nossa volta, de modelos pré-fabricados, generalizados pelo software comercial, conduz a uma impressionante padronização das soluções, a uma uniformidade generalizada, quando não a uma absoluta impessoalidade, conforme se pode constatar em encontros internacionais tipo Siggraph, nos quais se tem a impressão de que tudo o que se exibe tenha sido feito pelo mesmo designer ou pela mesma empresa de comunicação.
De fato, é interessante observar como a facilidade de uso de muitos recursos dos programas de criação gráfica acabam por determinar uma estética padronizada. Quando o Photoshop incluiu o efeito de sombreamento (drop shadow), muitos textos e logotipos passaram a ter “sombrinha”. Hoje, grande parte das animações tem aquele jeitão do software Flash.
Em fevereiro, aproveitei o intervalo de almoço para visitar as principais lojas de móveis modulados para reformar nosso quarto. Observei que todas as empresas utilizam o mesmo software (ProMob) e trabalham com MDF (provavelmente do mesmo fornecedor). Fiz projetos em todas as empresas que visitei, pude constatar que até o design era similar. Tendo em vista o processo industrial e a produção em série de modulados, a própria critatividade fica comprometida.
Também comprei algumas revistas especializadas. Nas fotos de ambientes projetados por renomados arquitetos, encontrei as mesmas linhas retas, impostas pelo linha produtiva, os mesmos gavetões e as mesmas texturas falsas. Sumiram as curvas! De Florense a micro-empresas de modulados, quase tudo se resume a disposição de caixinhas. Mudam os puxadores e dobradiças, mas os ambientes acabarão todos se resumindo a cantos retos, ao encaixe de placas de MDF.
Se o seu quarto também é modulado, provavelmente é muito parecido com o meu!
Categorias : Tecnologia
A multiplicação, à nossa volta, de modelos pré-fabricados, generalizados pelo software comercial, conduz a uma impressionante padronização das soluções, a uma uniformidade generalizada, quando não a uma absoluta impessoalidade, conforme se pode constatar em encontros internacionais tipo Siggraph, nos quais se tem a impressão de que tudo o que se exibe tenha sido feito pelo mesmo designer ou pela mesma empresa de comunicação.
…você diz para a sua esposa em uma loja no shopping: “Que tecido macio! Clica para ver…”.
Se você for ao exterior e avistar alguém usando Nike Shox, pode sair falando português que deve ser algum conterrâneo. Nunca um tênis caiu tanto no gosto do brasileiro quanto esse modelo. Abaixo do calcanhar parece haver um sistema de molas, como aquele utilizado por personagens de desenho animado em fuga. Já vi professor de educação física relatando os problemas ortopédicos que esse tênis pode causar. De qualquer maneira, ainda é o mais indicado para caminhar no shopping.
Mas o legal de toda moda é que ela passa. Como é fácil hoje comprar falsificações do Shox, o melhor é passar para o Adidas Bounce.
Já o sistema Wave da Mizuno trabalha com a propagação de energia em forma de onda. Mas o que funciona retoricamente é a imagem de onda do mar, com a qual se parece o design das borrachas coloridas abaixo do calcanhar. O movimento do mar e até mesmo o prazer de estar ou correr na praia também agem na mente no momento da decisão de compra.
Mas preciso confessar, o meu sistema preferido é o da Olympikus. A tecnologia Tube é revolucionária (é, “tubo” seria muito tupiniquim…melhor apelar sempre para estrangeirismos!!!). Ela se baseia no mesmo sistema de engenharia adotado em prédios japoneses. Ora, se é bom para vigas, certamente é bom para seu calcanhar!
O Converse All-Star nunca entrou nessa briga. A empresa continua satisfeita com seus poucos milímetros de esponja. Diante de tanta humildade, quero oferecer gratuitamente meus préstimos publicitários. Depois de muita pesquisa, aqui vai o slogan que criei: “All-Star - total impact” (claro, “impacto total” seria muito tupiniquim).
A resposta para a pergunta do título é simples: oligopólio. Como na maior parte das cidades a Net é a única operadora de TV e internet a cabo, eles não estão muito preocupados em atender bem seus clientes. “Como somos a única opção, ralem-se os clientes”. Sei que em Pelotas a Net tem uma concorrente importante. Não é surpresa saber que lá existem outros preços e pacotes. Infelizmente, o atendimento telefônico da Net é tão ruim quanto em qualquer outro lugar, já que os robôs, digo, atendentes do telemarketing são os mesmos.

Justificativa: Todos sabemos que as organizações terroristas contemporâneas funcionam em rede. E é isso justamente que assusta: se antes podia-se localizar um grupo terrorista em uma determinada floresta, por exemplo, hoje seus membros dispersam-se por vários países mantendo a comunicação entre si. Como se vê, existe aí uma demanda ainda insatisfeita, um importante nicho a ser coberto por uma rede de relacionamentos online para a interconexão dos participantes da rede.
Justificativa: Diante de um imenso público de adolescentes que ingressaram em uma profissão muito cedo, este novo serviço de interação online de redes de tráfico buscará misturar características de diversão juvenil do MySpace com funcionalidades profissionais do LinkedIn.
Justicativa: Como o orkut oferece apenas uma interface para colecionar amigos, comunidades de interesse e ferramentas para julgar se uma pessoa é confiável (ícone de sorriso), legal (ícone do gelo) e sexy (ícone de coração), esta rede visa um novo nicho. Através dela você poderá reunir seus inimigos, disparar spam e vírus para todos ao mesmo tempo, julgá-los com ícones de facas, forcas e gotas de sangue.
Justificativa: A web não é uma rede igualitária. A maior parte dos brasileiros não tem acesso ao ciberespaço. E, como se não bastasse, uma rede de relacionamentos para a elite abastada está para ser lançada:
Justificativa: Este serviço baiano, que leva este singelo título, serve para… nada. Afinal de contas, uma boa rede é para se descansar.


Você fica então se perguntando por que o segundo maior portal do Brasil não junta os dois primeiros passos em uma única janela. Intrigado, você indaga por que esta empresa que atua em diversos países da América Latina lhe mostra uma tela apenas confirmando o óbvio. Será que essa informação não poderia ser mostrada através de uma janela sobreposta, programada em Ajax? Ah, talvez o Terra não saiba o que é isso. O caro leitor não precisa conhecer esse jeitão Web 2.0 de programar sites. Mas um portal não saber…francamente. Outra coisa: será que não ensinaram ao Terra que existem outras formas mais inteligentes e menos intrusivas de se ganhar dinheiro com propaganda na segunda geração da Web?
Ah, você percebeu que os nomes de algumas pastas estão em português, enquanto de outras em inglês? Chique, hein?
Hoje, contudo, a página inicial de meu navegador é o
O jornalista do Estadão queria saber se, ou melhor, ele insistia que uma dessas redes de relacionamento se transformará no site onde encontraremos tudo o que precisamos. Discordo dessa aposta. Quanto mais serviços se inclui em um mesma interface, mais se corre o risco de perder o foco. Veja-se por exemplo o orkut. No dia 11 de julho, a simpática indiana Nandini noticiou no 


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