Acidente aéreo e institucional

16 08 2007

O ministro da Defesa Nelson Jobim vem repetindo na imprensa que não está preocupado com o terrorismo das empresas aéreas, que ameaçam que as mudanças pretendidas acarretarão aumentos nas passagens. Mas será que ele já conhece o primeiro mandamento da TAM?

Antes de prosseguir, visite o site da TAM e clique no link “Institucional”. Ao entrar nessa seção, selecione a opção TXT 1 (que usabilidade péssima, hein?) e depois visite o link “Filosofia”. Ou simplesmente veja abaixo a imagem dos sete mandamentos da empresa.

7 Mandamentos da TAM

Na verdade, faz dias que recebi um e-mail da Danielle Reule com essa informação. Apesar da circulação dessas mensagens, a TAM não parece ter ficado desconfortável. Ou, de fato, eles não estão muito preocupados com a imagem da empresa. A TAM confirma em seu primeiro mandamento, que nada substitui o lucro. Nem mesmo a segurança está acima do lucro. Isso não é surpreendente, de fato. Uma empresa que usa o overbooking como estratégia (apesar dos funcionários do balcão serem treinados a dizer que trata-se de um erro no sistema), que atrasa revisões e desrespeita os passageiros mostra que segue à risca o seu primeiro mandamento.

Você faria uma cirurgia com um médico que avisa que seu principal compromisso é com o lucro? Você estudaria em uma escola cujo slogan destaca o lucro como meta primeira? Sim, sim, sabemos que qualquer empresa em uma sociedade capitalista visa o lucro. Esses dividendos servem de motivação para o desenvolvimento da empresa e do país. Contudo, o lucro deve estar acima da segurança dos clientes de uma empresa aérea? Ah, sim, a empresa menciona a segurança no terceiro mandamento.

Mas, para não terminar este post de forma ácida, que tal rirmos um pouco do último mandamento: “Quem não tem inteligência para criar tem que ter coragem para copiar”.




O grito de desespero do Estadão

14 08 2007

A blogosfera está comentando e eu não poderia deixar de discutir. O Estadão, que vem há anos perdendo espaço, elegeu os blogs como seu arqui-inimigo. Vejam só! Com uma campanha metida a engraçadinha, o Estadão erro o foco e a piada. É ainda mais curioso ver que esse grito de desespero vem justamente de uma empresa que se gaba de ter um portal dedicado à tecnologia. Bem, pelo jeito eles não entendem nada sobre o fenômeno de blogs.

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De fato, a mídia impressa tem a Web como um novo concorrente. A busca por conteúdo na Web vem inclusive crescendo. Conforme o instituto de pesquisa Nielsen/NetRatings, o internauta dedica hoje metade de seu tempo na rede lendo notícias e assistindo vídeos. Trata-se de um crescimento de 37%, observado nessa pesquisa de 4 anos. Claro, busca-se tanto conteúdo jornalístico quanto cômico (ninguém é de ferro, não é?). Só que a concorrência entre blogs e mídia convencional não é privilégio do Estadão. Mas, enquanto a Folha de São Paulo vêm investindo em colunistas de peso e na atualização do conteúdo gráfico, o Estado de São Paulo insiste em seu conservadorismo. Ao passo que a Folha discute o que está sendo comentado nos principais blogs do país, a campanha do Estadão compara blogueiros com macacos (sobre isso, veja uma divertida análise no blog da Gabriela). O interessante é que como blogueiros também lêem jornais, e inclusive dependem deles para atualizar suas publicações online, o Estadão critica o seu próprio público potencial. E mais, acusa os leitores de blogs de estúpidos.

Alguns comentaristas do blog Pensar Enlouquece sugerem que essa arrogante campanha é na verdade uma estratégia de buzz marketing da agência Talent. Bem, os publicitários acertaram, a blogosfera está discutindo os anúncios e o comercial de TV. Mas será que o “falem mal, mas falem de mim” aumentará o valor da marca Estadão? De minha parte, passo a ter ainda menos respeito pelo jornalão desesperadão.

Talvez o Estadão e a Talent ainda sonhem com os tempos em que os jornais eram a única fonte de informação. Mas não há como voltar ao século XIX. Hoje, além de rádios, revistas, TVs e jornais, também nos informamos na Web. Ou seja, é a partir desse conjunto de informações que construímos nossa visão de mundo. E, além de nossa discussão sobre essas notícias com nossos amigos e colegas em contextos presenciais, também temos um espaço de debates na blogosfera. Pois os temidos blogs contribuem para que notícias não sejam esquecidas ou “absorvidas” impunemente. Cada blogueiro e comentarista, ao refletir publicamente sobre algo noticiado na grande mídia, expõe-se e coloca suas perspectivas à prova. Através do conjunto de pequenos debates em cada post, o grupo dá novo significado ao que a mídia tradicional transmite.

Para ver todos os anúncios da campanha, visite o blog Brainstorm #9. Para rir da cara do Estadão, veja o vídeo abaixo. Você poderá perceber que apesar do aumentativo do apelido do jornal, ele pensa pequeno.