Crescem os blogs privados

24 04 2008

Diário com cadeado Nos primeiros anos dos blogs, utilizou-se o diário íntimo como metáfora explicativa para esse novo fenômeno na Web. Essa comparação logo foi criticada, tendo em vista que diários são privados e blogs já nasceram públicos. Ou seja, a escrita de diários íntimos e blogs possuem objetivos distintos. Por outro lado, hoje observamos um crescimento de blogs privados, protegidos por senhas ou escondidos dentro de intranets organizacionais.

É muito difícil encontrar estatísticas sobre o número de blogs privados. Esta dificuldade é também relatada por Scoble e Israel no livro Naked Conversations. Esses autores, no entanto, entrevistaram Anil Dash, vice-presidente da Six Apart, que produz o blog/programa Movable Type. Segundo ela, em 2005 32% clientes da empresa já mantinham blogs privados. Esse número teria sido absurdamente ampliado nos últimos 2 anos. É interessante observar que o Blogger e o WordPress.com só incluíram o serviço de blogs privados em 2006. Ou seja, trata-se de fenômeno mais recente na Web, comparando com a o tempo de existência dos blogs.

Blogs privadosMas por que abrir um blog, para logo em seguida fechá-lo para o acesso público? Seria apenas um retorno potencializado da escrita de diários pessoais?

Eu confesso que tenho dificuldades em acreditar que hoje os blogs privados aproximam-se de quase metade da blogosfera, tendo em vista a quantidade gigantesca de blogs públicos. Na falta de estudos mais detalhados, tampouco sabemos quais os gêneros mais dominantes nesta blogosfera “obscura”. Mas o que sabemos é que o potencial da interface dos blogs vem sendo reconhecido pelas organizações como uma importante forma de comunicação interna. Equipes de trabalho podem utilizar os blogs para tornar o conhecimento tácito de uma empresa em conhecimento explítico. Esses blogs/texto servem também para a rápida atualização de novos membros no grupo, que rapidamente tomam ciência dos avanços e decisões no projeto.

Blogs privados também são utilizados em ambientes de educação a distância para o registro dos avanços dos educandos, para a condução de trabalhos em grupo e, claro, para a interação entre os participantes dos cursos. Grupos de pesquisa podem fazer uso privado de blogs para o desenvolvimento de projetos científicos e escrita de artigos. Enquanto o artigo não é finalizado, o grupo pode preferir manter em sigilo os dados coletados até então.

Blogs/programa podem servir de interface para a criação de textos literários, sem que se precise carregar o arquivo consigo durante viagens. É o que fez Alex Castro, do blog Liberal Libertário Libertino. Para escrever seu romance Empregadas & Escravos, ele abriu um blog privado onde acaba de terminar o primeiro episódio da história: Cães. O autor distribui convites para os interessados em ler e comentar o texto.

Outro uso interessante é desenvolver um blog apenas para amigos ou família. Dia desses, ouvi uma professora relatar que abriu um blog privado para interagir com seu marido enquanto permanecia fora do país.

É, os blogs continuam desafiando as definições e metáforas que tentam reduzi-los a este ou aquele gênero específico.




Interney Blogs na Compós: micromídia digital e encadeamento midiático

19 03 2008

Logo da CompósJá estão no ar os trabalhos aprovados para o XVII Encontro da Compós. Trata-se de um dos eventos nacionais mais importantes na área da Comunicação. Neste ano estarei apresentando no GT Cibercultura e Comunicação o artigo “Interney Blogs como micromídia digital: Elementos para o estudo do encadeamento midiático”. O trabalho pode ser acessado aqui ou no próprio site da Compós (viste a biblioteca de cada GT para acessar todos os textos).

Durante o texto, busco mostrar que os conceitos de broadcasting e narrowcasting não são mais suficientes para o estudo da estrutura midiática contemporânea. Nesse sentido, utilizo a tipologia de Thornton (mídia de massa, mídia de nicho e micromídia) para o estudo dos blogs. Ao reconhecer a especificidade dos blogs independentes em relação a outras formas de micromídia, como fanzines e rádios livres, sugiro que aqueles fazem parte de uma sub-categoria: micromídia digital.

Logo do Interney BlogsPara o debate sobre quando blogs são mídia de nicho (ou mídia segmentada) ou micromídia digital, discuto as interações nesses espaços através do conceito de contrato de comunicação de Charaudeau. Mas, para essa argumentação não ficar muito abstrata (!), faço uma análise empírica sobre o condomínio de blogs mais conhecido do Brasil, o Interney Blogs.

Após questionar a simplista oposição entre blogs e mídia de massa (update: no sentido de que os primeiros nos salvariam definitivamente das corporações midiáticas. Claro, blogs nunca serão massivos!) e apontar o uso de blogs/programa por indústrias culturais (como o Bloglogs da Globo), eu proponho uma discussão sobre o que chamei de “encadeamento midiático”. Ou seja, a inter-relação entre os diferentes níveis midiáticos. Durante essa argumentação, busco demonstrar a intertextualidade existente entre os níveis massivo, de nicho e micromidiático. E, claro, relato como os blogs de micromídia digital analisam temas encontrados na mídia tradicional, e como eles também pautam notícias nos veículos de grandes corporações. Finalmente, aponto como a própria micromídia digital pode retroalimentar as indústrias culturais hegemônicas.

Espero poder explicar tudo isso melhor em futuros posts. Por enquanto, fica a dica de visitar as páginas dos GTs e conhecer o que será discutido no Encontro da Compós, que será realizado em São Paulo, entre 3 e 6 de junho.

Em tempo: aproveito para agradecer a participação dos blogueiros do Interney Blogs na pesquisa. Agradeço também a mestranda Sandra Bordini que me ajudou na análise da propaganda veiculada naqueles blogs.




Onde se esconde o inédito?

17 03 2008

Este post é inspirado pela campanha do Edney Souza, do Interney Blogs, pelo que chama de “Blogagem inédita” (vale também ler este post que deu origem à proposta).
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É possível ser inédito hoje? Onde o ineditismo se esconde? É possível encontrá-lo seguindo os mesmos caminhos já trilhados por outros aventureiros? Ouvi dizer de alguns desbravadores que tão logo avistaram o inédito ele se transmutou e mudou seu domicílio.

Esta busca corre por todos os lados: na literatura, na música, na academia. Roqueiros e poetas, coreógrafos e doutores…todos em busca do surpreendente, do sensível imprevisto e até mesmo do velho reconfigurado. Sim, pois uma releitura criativa pode inspirar um sem número de novas leituras.

Duchamp produziu algo inédito?Dizem os manuais jornalísticos que um cachorro que morde alguém não é notícia. Mas se alguém morde um cão, aí sim se tem um fato noticioso. Da mesma forma, será que precisamos morder cachorros por aí para deixaramos nosso nome no hall da criatividade? De que raça seria o cusco que Einstein mastigou? E Charlie Parker, será que a causa de sua morte prematura seria raiva contraída de um cachorro de rua?

Suspeito que criação rime com informação. Este é o mantra que repito em minhas disciplinas de projeto gráfico: “sem informação, não existe criação. Sem informação, não existe criação”. O inédito também deve rimar com leitura, ir ao cinema, ouvir MP3, navegar pela rede. De outra forma, de onde viria o vocabulário da inovação? Vejam só! Informação também rima com inovação. E não me venham com a famosa crise da folha em branco. Sofrem com ela apenas os preguiçosos e desinformados. Nenhum papel ou arquivo digital permanece pálido diante de uma mente agitada.

Enfim, basta escrever, escrever, escrever; pintar, desenhar, rabiscar; canta, tocar, arranhar? Mais cedo ou mais tarde o inédito surgirá surpreendendo? Os cemitérios estão cheios de artistas, acadêmicos e jornalistas que morreram de exaustão. E para seu desgosto eterno, muitas celebridades por aí conquistaram a fama sem nunca terem dito nada.

Também é triste saber que não somos o marco zero de nossas falas. Muito do que pronunciamos resgata o que já foi dito outrora. Somos atravessados por discursos, ouvimos vozes do passado e as repetimos. O que digo vem acompanhado de tantos outros dizeres. Neste post, por exemplo, percebe-se rapidamente as marcas de Foucault e Bakhtin. Mas uma análise mais cuidadosa de meu teclado encontrará muitas outras digitais.

Isto é criativo?Não desanimemos. Em nossa geração muitos terão encontrado o inédito. Nos deixarão nos mordendo de inveja (ei, deveríamos estar mordendo cães): como não pensamos nisso antes? Esses caras terão nos mostrado que o ineditismo pode brotar da mistura, da bricolagem, de uma receita que ninguém tinha experimentado. O novo também pode brotar do acréscimo de um tempero diferente.

Mas ninguém acorda em uma segunda-feira e diz: vou ser o mais criativo do dia da “blogagem inédita”! Bem, melhor me dirigir a um canil e ver o que consigo por lá.

De toda forma, não existe hora nem época para se esbarrar no inédito. É, parece que ele nos dá um encontrão inesperado. Mas quem já foi de encontro a ele confessou que já estava em seu encalço. Outros, porém, seguem atrás dos intrépidos, perseguem as picadas já abertas. Assim, não conseguem nunca achar o que já foi achado. E atrás desses ainda vem os que copiam as trilhas e vendem reproduções mais em conta das descobertas. Não poderia ser diferente. O ineditismo é tentador. Se por um lado nos encanta por suas novas cores, ele cega a tantos outros que o perseguem com pincéis gastos de tinta barata.




Você, blogueiro amador, ganha dinheiro com publicidade?

14 03 2008

O Google AdSense popularizou a publicidade. Qualquer blogueiro amador pode veicular anúncios sem precisar correr atrás de patrocinadores. Por outro lado, com a intermediação do Google, não existe a pressão de anunciantes sobre o conteúdo veiculado.

O sistema de links patrocinados também abriu as portas para micro-anunciantes. Se você quer vender sua coleção de revistas Mad, mas não tem grana para para anunciar, pode criar uma campanha no Google AdWords com um orçamento de apenas um real diário.

E, você, blogueiro amador, veicula publicidade em seu blog? Vale a pena? Já teve algum ganho significativo? Ou você está apenas enchendo seu blog de anúncios, numa expectativa de lucro que jamais se realizará?

Cartum Problogger

PS: Outros cartuns divertidos como esse podem ser encontrados no blog Nadaver.




Uma vida narrada em blogs

8 02 2008

Gabriel PillarSe você não conheceu Gabriel Pillar, após ler este livro você ficará com a impressão de que mantinha com ele grande intimidade. Lançado em versão impressa e digital, o volume reproduz textos escritos por Gabriel e por seus amigos, que estão espalhados pela blogosfera. Além disso, fotos do Flickr, anotações e imagens de outros documentos pessoais ilustram o livro, que traz uma belíssima diagramação da Letraria Design.

O livro impresso vai revelando a cada página o que Gabriel publicou na Web sobre seu mundo, sua infância, tecnologia e cultura. Fixados em tinta no papel, seus textos e suas imagens digitais mostram como é a vida de um jovem antenado de início do século.

Quer seja através de memes, posts ou fotos, encontramos na Web o registro online de sua trajetória offline, interrompida precocemente aos 22 anos em 4 de dezembro de 2006. Nas páginas do livro, vemos como Gabriel conseguiu transformar sua vida em obra de arte.

Mais do que uma autobiografia, posts de blogs de seus amigos completam o livro. Eles mostram diferentes olhares que testemunharam os amores, humores e invenções de Gabriel. Criador do portal Insanus (que ocupa a 17º posição neste ranking), o estudante de comunicação, que iria defender sua monografia poucos dias depois de seu acidente, ajudou a mudar a cara da blogosfera brasileira, motivando a criação de outros condomínios de blogs.

Gabriel se foi, mas continua entre nós virtualmente, no orkut, nos blogs Vertigo e Wax Paper Things, no Flickr e em tantos outros posts que testemunharam sua presença entre nós.

Falta dizer que o livro foi lançado em 4 de dezembro de 2007 em um sarau. Com música, leitura de algumas páginas da obra e vinho, o evento em nada lembrava as tradicionais missas de um ano de falecimento. A idéia do livro e deste lançamento festivo (e por que não?) veio de Valério e Mariza, pais de Gabriel. Esta iniciativa nos explica um pouco as raízes da criatividade e autonomia de Gabriel.

Viva o Gabriel… vivo em nossas memórias e na Web 2.0.




Não, a comunicação não é viral

19 11 2007

Dois temas que andam hoje muito populares: marketing viral e memes. Contudo, preocupa-me o fato de que tanto um quanto o outro partem de uma visão que aborda a comunicação como mero processo transmissionista. Lava-se tudo o que se sabe sobre subjetividade, discurso, implicações sócio-políticas, condicionamentos dos dispositivos materiais, etc. Por outro lado, o hype em torno das pesquisas sobre aquelas temáticas têm conferido sobrevida à perspectiva de difusão de inovações, muito popular nos anos 60-70, mas que perdeu força em virtude de seu viés funcionalista.

Meme e v�rus conversando

A ressurreição de tal aboradagem alimentou-se da chamada “nova” ciência das redes e das discussões sobre emergência. Barabási, expoente do primeiro grupo, lidera aqueles que não se cansam em comparar processos sociais à disseminação de epidemias. O jornalista Steven Johnson, por sua vez, prefere comparar o comportamento social humano à formação e manutenção de formigueiros e colméias. (Em tempo: utilizo muito esses autores, mas discordo das analogias que utilizam).

Apesar da sedução dessas metáforas, tão didáticas e bonitinhas (!), não podemos esquecer que a transmissão viral é um processo aditivo. Uma pessoa infectada transmite o vírus, que passa para outra, que repassa para um terceiro e assim por diante. Qualquer criança que já brincou de telefone sem fio sabe que a comunicação interpessoal não funciona dessa forma. Mesmo assim, no imaginário da cibercultura, como nos lembra meu amigo Erick Felinto, tudo é traduzido em termos informacionais.

No último congresso da IAMCR, realizado em Paris (ah, Paris!), a pesquisadora Virginia Nightingale fez uma dura crítica ao determinismo biológico que tanto aparece em periódicos, livros e congressos sem encontrar uma maior análise crítica. Ironicamente, ela comenta que a própria idéia de teia (web) nos coloca no mundo dos insetos antes que nos demos conta!

Virginia afirma que a simples inteligência dos insetos é um dos modelos preferidos em pesquisas de inteligência artificial. Contudo, essas explicações biológicas, reduzem a agência humana às respostas intuitivas dos “insetos sociais”. Para ela, o perigo de tais analogias, que naturalizam as relações sociais e descrevem a cibercultura como sendo determinada biologicamente, reside no fato que elas ignoram as estruturas de poder que limitam a expressão e os relacionamentos.

Enquanto você pensa em seu comentário, vou ali fazer um pouquinho de mel com as abelhas companheiras…

PS: Este post se inspira no trabalho que apresentei na Intercom deste ano, onde proponho e utilizo um método para o estudo das relações sociais na blogosfera.




O grafo não é a rede

29 10 2007

A Análise de Redes Sociais (SNA) de vez em quando é chamada de um método sem uma teoria. Mesmo assim, ela vem entusiasmando nós pesquisadores da cibercultura por poder apresentar uma série de métricas e grafos (como o reproduzido abaixo) para o estudo de redes sociais, cujas estruturas são explicitadas na Web através de links.

Grafo

Por outro lado, o blog BubbleGeneration traz uma provocativa crítica e postula: “o grafo não é a rede”, em um claro trocadilho com a máxima “o mapa não é o território”, de Korzybski. Segundo este filósofo, a abstração de algo não é a coisa em si. Em outras palavras, é como se um artista fizesse uma escultura observando uma modelo e mais tarde defendesse que a escultura é a própria modelo (usei essa ilustração neste artigo sobre inteligência artificial).

Em um minúsculo post, o BubbleGeneration defende que o grafo é diferente da rede social, pois o primeiro é um estoque, enquanto o segundo é um fluxo.

De toda forma, entendo que a SNA pode oferecer dados quantitativos sobre a estrutura de uma grande (ou enorme!) rede social a partir do registro dos links e suas direções (ou seja, se um nó envia ou recebe um link, ou se trata-se de uma conexão recíproca) em um determinado momento. Contudo, as diferentes fórmulas que podem ser aplicadas a esse retrato não podem revelar a dinâmica social que extravasa a (ou se esconde na) mera fotografia da interconexão explícita entre os nós.

Ou seja, o problema do uso de grafos sociais emerge quando se passa a acreditar que eles são uma prova suficiente para a interpretação dos relacionamentos entre as pessoas. Essa postura pode perigosamente travestir o carcomido corpo estruturalista com nova e sensual roupagem!

Para ilustrar de forma lúdica o problema em se tirar conclusões definitivas sobre a dinâmica social sem conduzir-se uma observação qualitativa durante um certo período de tempo, responda as perguntas a seguir baseando-se na imagem abaixo:

Fam�lia Jones?

1 - A família Jones é formada pelo senhor Jones, senhora Jones e Johnny;
2 - Johnny está fazendo seu dever de casa enquanto assiste TV;
3 - A senhora Jones está tricotando um blusão;
4 - Eles têm um gato;
5 - Eles estão olhando um programa noturno de TV.

A imagem e essas perguntas (reproduzo apenas algumas delas aqui) foram publicadas em um livreto sobre comunicação em 1968. Apesar de alguns pressupostos daquele texto estarem desatualizados, esse exercício ainda é bastante interessante. Veja abaixo as respostas que o antigo livreto traz para as questões anteriores:

1- Você não sabe de fato se esta é a família Jones, nem tampouco se existem outros membros da família que não estão presentes;
2 - Você não tem como saber se Johnny está fazendo dever de casa ou não. Você sabe apenas que ele tem um livro diante de si;
3 - Você não pode ter certeza que trata-se da senhora Jones, nem o que ela está tricotando;
4 - Poderia ser um gato do vizinho “sentindo-se em casa”;
5 - Você não sabe se é noite ou não, apesar das luzes estarem ligadas. Pode ser meio-dia, mas as cortinas foram fechadas.

Isto não é um cachimbo

Enfim, creio que a SNA pode coletar e analisar grandes volumes de dados. Esse método e suas métricas podem oferecer importantes indícios sobre os relacionamentos mantidos em serviços na Web como blogs, redes de relacionamento, fóruns, etc. Por outro lado, é preciso conduzir em paralelo, ou em um momento seguinte, investigações qualititativas (como análise das conversações, entrevistas, etc.) para o estudo daquilo que os grafos estáticos não podem revelar… antes que as dinâmicas sociais sejam reduzidas à troca econômica de links. Caso contrário, o estudo quantitativo de laços, me perdoem o trocadilho infâme, vai apenas encontrar nós cegos.

to be continued… :-)
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Techmeme e a morte dos blogs

3 10 2007

A recente publicação do Techmeme Leaderboard tem dado o que falar nesta semana. Trata-se de uma lista das 100 fontes de informação mais populares na Web, publicado pelo site agregador de notícias sobre tecnologia e negócios Techmeme. A diferença deste ranking para o Top 100 blogs do Technorati é que ele se baseia em quantas vezes cada fonte aparece no agregador de notícias durante um mês, em vez de apenas contar quantos links recebe (como faz o o primeiro). Outro diferencial é que o Techmeme não lista apenas blogs, mas também analisa sites de tradicionais instituições midiáticas (como jornais, revistas, agências de notícias, etc.). Essa mistura de blogs e sites de grandes corporações no ranking confirma que existe hoje uma oferta muito variada de fontes de informação na Web e, por outro lado, que o público busca de fato informações tanto na grande mídia quanto fora dela.

Techmeme

Deve-se notar que para o Techmeme Leaderboard o blog Bits do New York Times é listado em separado do “site-mãe”, pois o ranking avalia a marca utilizada e não quem é seu proprietário. Além disso, cada blog de uma mesma rede de blogs é listado em separado.

Algumas críticas foram feitas ao método utilizado. Mas, como lembra o próprio criador do agregador de notícias, Gabe Rivera, toda forma automatizada de julgamento de informações na rede (incluindo, claro, os algoritmos utilizados pelo Google e Technorati) apresentam viezes (bias). É também interessante observar que sites de muita importância na Web no que toca a divulgação e discussão de notícias sobre tecnologia, como o Slashdot, não figuram no ranking, pois baseiam-se principalmente em links para outras fontes, em vez de oferecer conteúdo próprio.

Dentre as críticas sobre esse novo ranking, Ben Metcalfe aponta que existem poucos blogs na listagem. Mas o Techmeme não se dedica tão somente à análise de blogs, como faz o Technorati. Logo, não se trata de um estudo sobre a blogosfera apenas. De toda forma, o Techmeme Leaderboard pode dar um bom indicativo do “mix” dos principais players no segmento (desculpem pelo jargão marketeiro!).

Os blogs morreram?

Blog mortoFeita a apresentação do ranking, o que me interessa discutir é se a blogosfera já não é mais o que pensávamos que ela fosse. E, mas especificamente, debater a frase de efeito do reconhecido blogueiro Robert Scoble de que os blogs morreram. Essa afirmativa parte da definição de blogs como voz autêntica de um indivíduo que reflete sobre fatos de sua vida e seus interesses. Segundo Scoble, a profissionalização de alguns blogueiros, a produção de posts por equipes de redatores, a contratação de jornalistas e a conversão de blogs em empresas midiáticas atestariam a falência da própria concepção de blogs.

No mesmo caminho, Richard Macmanus afirma que seu Read/Write Web deixou de ser um blog e se converteu em uma empresa midiática. Para ele, não se pode comparar blogs individuais, escritos no tempo livre, com outros que converteram-se em novos negócios midiáticos. Estes últimos passam a contar com equipes de redatores, cujos textos seguem um determinado perfil editorial e respondem a interesses mercadológicos (logo, não necessariamente exprimem a voz de um indivíduo). Macmanus defende que, da mesma forma que não se pode comparar maçãs e laranjas, tampouco se pode equiparar o blog Scripting News com o Techcrunch (que se transformou em uma empresa da nova mídia). E, para complicar, ele diz se reconhecer como um blogueiro (que hoje bloga muito menos, pois está mais ocupado adminstrando a empresa), mas que o Read/Write Web não é mais um blog!

Eu discordo dessa diferenciação entre blog, blogar e blogueiro. Não creio que simplesmente dizer que o Read/Write Web não é mais um blog seja esclarecedor. Conforme busquei esclarecer em um post anterior, existem diferentes gêneros de blogs. Sendo assim, defini-los como meros registros pessoais é não somente reducionista quanto potencialmente dogmático (”os blogs deveriam ser assim”). Como sabemos, em um meio podem circurcular uma enorme gama de informações. Ou você já viu alguém dizendo que televisão é humor, rádio é jornalismo, jornal é horóscopo? Portanto, a solução de Macmanus parece simplista e foge ao debate da maneira mais confortável.

TechcrunchPor outro lado, Macmanus e Scoble têm toda a razão em salientar que blogs também se tornaram um negócio rentável. Veja-se por exemplo a notícia que acabo de ler: o TechCrunch deve ser comprado pela CNet por mais de 100 milhões de dólares. Outros grandes blogs devem seguir o mesmo caminho. Se esse movimento realmente irá acontecer ainda ainda está por ser confirmado. Mas podemos observar que existe uma amplitude muito grande de usos da interface blog (posts listados em cronologia inversa, ferramenta de comentários, blogroll, etc.).

Probloggers, blogs que se transformam em empresas e blogs organizacionais (outro gênero que se afasta totalmente da definição de página pessoal) são minoria na blogosfera, mas não estão fora dela, claro! Ora, não podemos usar esses rankings de blogs que tanto circulam na Web para concluir como é a blogosfera, pois eles descrevem apenas aquela minoria. Suponho que os blogs pessoais constituam a maior fatia de fato, mas tampouco são eles próprios a definição da blogosfera.

Conclusão: é preciso hoje duvidar de qualquer definição que delimite blogs em apenas um ou outro gênero ou através da descrição de uma determinada condição de produção.

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Interney casa com o IG!

27 09 2007

logo do BloglogA blogosfera anda agitada…e estrelada!

De um lado, a Globo lançou o portal Bloglog (que título infeliz) com blogs de estrelas da casa, mas que também dará teto para “outros formadores de opinião adequados ao perfil do portal”. Ali você encontrará blogs de Cleo Pires, Carolina Dieckmann, Vitor Belfort, Ana Maria Braga, Betty Faria, entre outros.

No outro canto do ringue, as “estrelas” do Interney blogs, liderados por Edney Souza, firmaram uma interessante parceria com o portal IG. Trata-se de um negócio do tipo ganha-ganha, segundo Edney. “Não pago mais hospedagem, tenho mais visibilidade e passo a ter uma nova fonte de receita advinda da publicidade vendida pelo IG”. Já o IG passa a veicular na capa do portal um conteúdo que atraiu 4 milhões de acessos em agosto (segundo números do Interney). Como os espaços publicitários se constroem onde se encontram audiências relevantes (quanto ao tamanho e/ou sua segmentação), o Interney Blogs passa a oferecer ao IG um novo local para veicular propaganda.

Logo do Interney blogsEnquanto um certo jornal andava espalhando que a blogosfera não passa de uma aglomeração de macacos aloprados, o IG reconheceu a força de um novo conjunto de redatores que atraem diariamente milhares de internautas. Revela-se aí o empreendedorismo e a profissionalização de uma minúscula parcela de blogueiros que passaram a se sustentar com seus blogs. Esses “probloggers” encontram no GoogleAds e em parcerias com lojas online (Mercado Livre, por exemplo) uma nova forma de negócio.

O processo é o mesmo de sempre: um produtor oferece contéudo relevante; uma audiência fiel passa a acompanhar essa produção; essa audiência passa a consumir produtos cujos anúncios são vinculados ao conteúdo; a veiculação de anúncios rende lucros ao produtores de conteúdo. A diferença é que hoje a propaganda foi “socializada”. Atualmente, qualquer blogueiro (mesmo com micro-audiências) pode ter anúncios em seu site, sem que precise ser procurado por uma agência ou um anunciante. É muito fácil veicular essa forma de propaganda e o próprio Google encarrega-se de encaixar anúncios (que deveriam ser) relevantes. Já o sistema de parcerias oferece uma pequena porcentagem ao blogueiro sobre as vendas que tiverem início em um link no blog. Assim, probloggers podem se sustentar com a venda de câmeras, computadores ou até mesmo geladeiras sem trabalhar nas Casas Bahia!

Mas, apesar de pequenos blogueiros também poderem participar desse processo mercadológico, do qual parcitipavam basicamente instituições midiáticas, micro-audiências rendem pouco ou até mesmo… nada. E probloggers ainda são pouco representativos no Brasil. De toda forma, é interessante observar o movimento do Interney Blogs. Certamente eles estão abrindo um novo caminho na blogosfera.

Enquanto isso, para não dizer que não falei do BlogLog da Globo, trata-se de mais uma estratégia de sua potente e competente indústria. Ou você acredita que a própria Ana Maria Brega escreve seu blog?

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Parabéns, Estadão!

20 09 2007

Para não dizerem que sou injusto, não posso deixar de reconhecer que o Estadão publicou um “erramos” sobre a pseudo-notícia do homem que havia operado seus dedos para usar o iPhone (obrigado pela dica, André Deak). Vamos então comemorar juntos o aniversário de um mês do intervalo entre a publicação da falsa notícia e a errata. Parabéns, Estadão!

Ora, todos sabemos que nenhum veículo jornalístico é imune a erros. As rotinas jornalísticas, a pressão do tempo e dos editores acabam muitas vezes permitindo que certos deslizes aconteçam. Mas cá entre nós, levar um mês para reconhecer o erro, permitindo que a matéria continue no site do jornal (a página foi apagada, mas você pode ver uma cópia aqui), depois que todo mundo sabia que tratava-se de um rumor, é falta de profissionalismo. E isso fica ainda mais feio vindo de um jornal que se intitula o tótem da credibilidade.

Pelo jeito, a reação da blogosfera à campanha do jornal (que comparava blogueiros e macacos) e à publicação daquele rumor como fato real teve efeito nessa retratação. Que bom que o Estadinho lê blogs para ampliar seus horizontes :-)

Então vamos fazer assim, sempre que você ler algo no Estadinho, consulte o site do jornal um mês depois para confirmar se eles voltaram atrás e tudo não passava de uma mentira.

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