Home / Cibercultura / Autores de fanfiction deveriam ser remunerados

 

Uma legião de fãs de filmes e seriados não aceitam ser apenas espectadores. Tampouco ficam satisfeitos em discutir os últimos episódios em um grupo no Facebook ou em uma mesa de bar. Querem mais. E talvez não haja maior forma de envolvimento com os personagens que idolatram do que escrever suas próprias histórias. A partir de seus computadores pessoais, criam novas tramas para Harry Potter, redigem diferentes aventuras galáticas para os jedis e debatem com seus leitores os inusitados desdobramentos que publicam em sites de fanfiction.

keep-calm-and-write-fanfictionA rigor, esses autores de fanfiction são criminosos! Violam os direitos autorais e manipulam personagens e histórias criados originalmente por autores bestsellers e pelos grandes estúdios. Por outro lado, os detentores de tais copyrights, na maior parte das vezes, fazem vista grossa. Se quisessem, seria muito fácil fechar sites dedicados a fanfiction e penalizar exemplarmente um pequeno grupo de “infratores”. Por outro lado, reconhecem a importância daquelas manifestações espontâneas e como, ao final, podem ser lucrativas. Ora, autores de fanfiction acabam por manter o interesse por filmes, seriados e livros mesmo quando as empresas que os produziram não lançam nada novo nas telas e nas livrarias. Logo, autores de fanfiction acabam contribuindo por vendas continuadas de DVDs, camisetas, bonequinhos e todo tipo de quinquilharia.

Diante disso, a pesquisadora Abigail de Kosnik aponta que as fanfics são uma modalidade de trabalho gratuito que privilegia a indústria massiva. Por outro lado, os fãs não percebem seu esforço e o grande volume de horas que dedicam a essa produção como trabalho. A autora observa que os criadores de fanfics tampouco querem ter suas identidades reconhecidas. Em sua maioria, tais fãs se apresentam através de pseudônimos e fazem o possível para esconder suas informações pessoais. Mesmo assim, Kosnik defende que os fãs escritores deveriam obter alguma forma de retorno financeiro por seu trabalho – pelo menos como fazem bloqueiros e vlogueiros, através de sistemas como Adsense, do Google.

“A concretização da possibilidade de fãs serem pagos por seus trabalhos dependeria que tanto eles quanto as corporações não só reconhecessem o fandom como uma forma de trabalho a valorizar as mercadorias produzidas massivamente, como também ser digno de recompensa.”

– Kosnik, 2013

Se parece improvável que a grande indústria de produtos culturais venha a remunerar autores de fanfics, talvez surpreenda saber que os próprios fãs não querem receber nada em troca por sua paixão criativa. Conforme a autora, eles sentiriam-se como traidores da causa defendida, confundindo-se com os promotores oficiais que se vendem por comissões.

Para Henry Jenkins a natureza não comercial das fanfictions é determinante.

“Essas histórias são fruto do amor; elas operam numa economia de doação e são oferecidas gratuitamente a outros fãs que compartilham da mesma paixão pelos personagens.”

– Jenkins, 2009

A verdade é que mesmo que a grande indústria midiática e alguns autores reclamem que seus universos fictícios protegidos por copyright venham sendo violados, ao fim e ao cabo o que lhes importa é que as fanfictions acabam contribuindo para seus lucros. Do outro lado do espectro, os fãs escritores não sentem-se explorados por seu trabalho gratuito. Eis aí mais uma controvérsia da economia da Web 2.0.

Para saber mais sobre o SEU trabalho gratuito na internet, leia  meu último post ou este capítulo que publiquei recentemente.

 
 

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