Home / Cibercultura / O Facebook e a industrialização da amizade

 

“Se você não está pagando pelo produto, você é o produto.” Este mantra hacker nos faz refletir sobre o que o Facebook faz com todos os dados que coleta de nossas interações. Apesar de alguns rumores que circulam de vez em quando, o Facebook jamais cobrará uma mensalidade. voce-e-o-produtoO lucro com publicidade e aluguel de sua base para empresas de monitoramento de redes sociais é tal que o Facebook não precisa de nossos trocados. Nós pagamos essa sofisticada plataforma de interações em rede com algo muito mais valioso: nossas próprias vidas. E com a vida de nossos amigos (já que falamos deles e os tagueamos em fotos)!

Rotineiramente nós oferecemos aos algoritmos do Facebook informações sobre o que sabemos, gostamos, queremos, lemos, ouvimos. Deliberadamente entregamos aos servidores de Mark Zuckerberg o que pensamos, com quem nos relacionamos, quem faz parte de nossa família e com quem concordamos. Através de nossas curtidas e de nossos compartilhamentos, é possível avaliar nossos padrões de gosto e de consumo. Ora, essas informações valem ouro para empresas e marcas que buscam anunciar seus produtos para públicos altamente segmentados.

Mark_RedeCada vez mais dependemos do Facebook para nos comunicarmos, mantermos nossas amizades vivas, nos informarmos sobre o mundo e sobre a vida de nossos pares e das celebridades. Mas não pense que o big brother de Zuckerberg está vigiando você apenas dentro das quatro paredes de seu site.  O Facebook coleta nossos dados em qualquer site ou loja online que utilize algum de seus serviços, como botões de curtir. Se você visita um blog ou site jornalístico e vê ali um box com fotos de seus amigos no Facebook ou o nome de um familiar que já curtiu aquela página, saiba que Mark está de olho em você. Sabe aquele produto que você desistiu de comprar em um site de e-commerce quando descobriu o valor do frete? Não se surpreenda se no outro dia você descobrir no Facebook que acaba de ganhar um desconto especial para finalizar aquela compra. Pois é, esse “generoso” Facebook está de olho! Ele sabe o que você fez no verão passado! Ele sabe do que você gosta. E ele entrega tudo isso para qualquer anunciante, agência de propaganda ou empresa de análise de tendências interessada em pagar por essas informações.

Sim, entrar no Facebook é abrir mão de grande parte de sua privacidade. Mas lembre-se que a maior parte desses dados coletados é você mesmo que oferta. E se você pensa que o melhor então seria usar o WhatsApp e o Instagram, não esqueça que eles também fazem parte da empresa Facebook. Agora, se você realmente pretende proteger sua privacidade, aqui vai uma fácil sugestão: termine sua conta em todos serviços da internet e vá morar em uma caverna desconhecida no Pico da Bandeira!

E se você quiser saber mais sobre tudo isso, o meu artigo sobre o que chamo de “industrialização da amizade”.

 
 

4 Comments

  1. gustavo says:

    Alex, consumir não é errado.

     
  2. É verdade, Gustavo. Mas como podes ver no post e no artigo, não defendo que o consumo é errado. Discuto questões sobre privacidade e sobre mudanças no capitalismo contemporâneo.

     
  3. Muito bom o texto, mas… Acho q vi um botão de curtir ali no topo!
    Rs

     
  4. Pingback: Como as empresas da Web 2.0 exploram seu trabalho gratuito | Dossiê Alex Primo

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