Home / Tecnologia / Google+ apresenta uma visão diferente das relações sociais

 

Por Alex Primo
Editor

O Google+ abriu suas portas. O que logo salta aos olhos é a interface de excelente usabilidade. A elegância das telas foge à típica falta de beleza dos serviços online do Google. Se você já faz parte dessa nova rede de relacionamentos (mais uma!) deve ter ficado maravilhado com o recurso hangout, que faz da videoconferência algo ainda mais divertido e fácil de usar. Por outro lado, o maior diferencial do Google+ está na sua concepção de base, em sua visão de amizade e outras relações sociais.

Quando o orkut foi lançado pelo Google, a visão de seu criador era de que você quer compartilhar tudo com seus amigos. Se você os acrescenta em sua rede é porque você confia neles. Durante os primeiros tempos do Facebook cada interagente só poderia ver informações de seus colegas da universidade. Já no Twitter, qualquer pessoa pode lhe seguir e saber o que você está compartilhando (se sua conta não for fechada, claro).

Inicialmente, o orkut exigia que você “rankeasse” seus amigos segundo critérios de intimidade. Isso não alterava em nada as interações futuras. Alguns anos depois, tornou-se possível criar-se grupos, a partir dos quais você pode definir critérios de visibilidade do que você publica no site. O Facebook ainda guarda a concepção inicial de redes (sua universidade, sua empresa) e a filtragem por amigos, amigos de amigos ou por pessoas individuais. Existe a possibilidade de criação de listas de pessoas (semelhante ao Twitter), mas sua configuração é trabalhosa e elas não podem ser usadas para a filtragem do que você compartilha. É justamente aí que o Google+ se diferencia.

O sujeito pós-moderno transita por diversas redes, comunidades de interesse e tem preferências tão diversas que um olhar moderno o classificaria de esquizofrênico! Na modernidade primava-se pela coerência e seguia-se uma moral punitiva. Já na pós-modernidade valoriza-se o estar-junto, a coletividade e a convivência em novas formas de “tribalismo”, conforme defende Michel Maffesoli. Segundo o sociólogo francês, a interação neste grupos diferentes (às vezes de perfis até contraditórios) não pode ser vista como falta de coerência, mas como “sinceridades sucessivas”.

O Google+ parte de uma visão semelhante dos relacionamentos sociais. Na verdade, não existe falta de ferramentas para compartilhar fotos, ideias, links, etc. O que não parece bem implementado ou é ainda é limitado em outros serviços é a definição das pessoas ou grupos com os quais você quer compartilhar detalhes de sua vida.

As fotos de uma festa do trabalho interessam apenas aos seus colegas (que estava também bêbados como você!); uma garota não quer que seu pai veja com quem ela anda planejando a próxima viagem; uma mãe prefere compartilhar o vídeo do nascimento de seu filho apenas com a família; um profissional quer enviar planilhas sigilosas para seus sócios. Esses são exemplos de situações muito particulares que não são de interesse geral ou que tem detalhes que visam apenas um certo grupo. O Google+ quer facilitar não apenas a comunicação (outros serviços já fazem isso), mas a definição mais precisa dos círculos a que ela se destina.

O recurso “circles” oferece uma interface muito fácil de usar e de bonito apelo estético. É a partir da configuração de seus círculos de relacionamento (suas tribos!), de suas comunidades de interesse, que tudo vai acontecer. É o reconhecimento de nossa multiplicidade, da fragmentação do sujeito, que o o Google+ pretende atrair o interesse de quem já interage em outras redes de relacionamento. Vai ser difícil arrancar as pessoas do Facebook e do Twitter (ok, do orkut também). Existe um custo em começar-se tudo de novo. Mas o Google tem um trunfo: sua conta no Gmail. De toda forma, acho que a briga vai ser muito difícil. Agora, se o titã das buscas perder o embate, e depois de ter amargado fracassos como o Wave (difícil de ser entendido e usado) e o Buzz (que ofereceu problemas de privacidade), o Facebook vai se mostrar uma ameaça ainda maior.

 
 

9 Comments

  1. Flávio says:

    Alex,
    mas nada mais lógico do que isso, certo? O que nunca entendi em redes sociais foi essa questão totalmente aberta. Hoje qualquer um tem 10000 “amigos” com quem compartilha TUDO ou quase tudo de sua vida. Isso me manteve afastado delas por N motivos.
    Creio que o mais próximo do real sejam os círculos que o Google+ está propondo.
    Na realidade nada novo, apenas o que já fazemos em nosso mundo real. OU todo mundo vê o que fazemos dentro de casa ou apenas quem permitimos?
    Abs e ótimo texto.
    Flávio

     
  2. Anônimo says:

    Pois é, Flávio, algo tão óbvio precisou de muito tempo para receber uma interface correta.

     
  3. Carlos Ary says:

    Alex, excelente texto!!! Você está de parabéns!
    Vi um fragmento dele (o primeiro período do quarto parágrafo) citado num comentário de uma amiga (que trabalha na Google) comentado no Facebook.
    O que ninguém se pergunta (e eu meio que passo a batata quente pra você, se quiser claro…) é porque precisamos de visões diferentes nas nossas relações sociais. Em tempo: E por que necessariamente geridas em meios eletrônicos.
    Vou passar a ler seu blog a partir de hoje.
    Sucesso!
    Abs, Ary

     
  4. Olá Alex, acredito que exista uma informação imprecisa no texto:
    “Existe a possibilidade de criação de listas de pessoas (semelhante ao Twitter), mas sua configuração é trabalhosa e elas não podem ser usadas para a filtragem do que você compartilha. É justamente aí que o Google+ se diferencia.”
    A configuração de listas no Facebook permite sim filtrar o que você lê e também o que você compartilha. Basta clicar no ícone do cadeado ao lado do botão “Compartilhar” (Share), escolher a opção “Personalizar” (Customize) e depois escolher a opção “Pessoas específicas” (Specific People…).
    É trabalhoso e o Google+ é mais intuitivo, porém é possível usar. E se você posta sempre pro mesmo grupo de pessoas, pode marcar “Make this my default setting” e pronto.

     
  5. Anônimo says:

    Vítor, obrigado por sua lembrança desse recurso. O que quero dizer é que não existe a possibilidade no Facebook de compartilhar fotos com as listas que você criou. É preciso selecionar pessoa por pessoa. O uso de círculos no Google facilita a escolha dos grupos com quem você quer compartilhar informações. Como disse, é um diferencial. Estava caindo de maduro, é verdade. Mas o Facebook dificulta o processo e não faz uso extensivo do recurso de listas (que tem usabilidade bem ruim).

     
  6. Eu levo fé no + não digo que ele vá derrubar o facebook muito cedo não, mas acho q pelo menos agora teremos uma briga boa, com competidores mais proximos.
    Ah e tá faltando o botão de +1 aqui no blog ein Alex…

     
  7. Belo post! Muito bem explicado, e bem fundamentado.
    Acaba abrindo a cabeça das pessoas para outros pontos de vista.
    Eu já vou parar de usar o Facebook, que tem por princípios de que a informação pessoal que se bota lá é de propriedade deles!
    Totalmente anti-ético!

     
  8. Daniela Paiva says:

    Primeiro gostaria de parabenizar o Alex pelo texto.. Ótima análise das redes sociais, em poucas palavras.
    Mas, Alex e Vitor, o Facebook permite sim, que compartilhemos os álbuns apenas com os grupos e listas que criamos. O recurso é utilizado da mesma forma do mural, e pode ser utilizado com algum “default setting” também…
    Tenho álbuns que estão compartilhados apenas com alguns grupos e já faz tempo que utilizo esse recurso.
    Quanto à eles definirem que a informação pessoal é de propriedade deles, também considero anti-ético. O Google + não faz o mesmo? Pergunto porque realmente não desconheço essa informação.

     
  9. Anônimo says:

    Oi Daniela!

    Pois então parece que esse recurso no Facebook precisa de melhor usabilidade! 🙂

    Quanto à questão ética, de fato é um grande problema em muitos dos serviços da Web 2.0. O problema é que ninguém lê os termos legais.

     

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